12 de dez de 2009

O Galagrama

Sou casado há mais 3 anos e nada de minha mulher engravidar. Ela sempre comentava que iria fazer uns exames e tal. Sempre nos exames dela dava uns tais de policistos, etc... Fez tratamentos, exames, tratamentos, um atrás do outro... e nada!... os mesmos policistos. Aí, certa vez vem a notícia dela: A Médica pediu para você fazer um exame: Um Espermograma.

Fiquei dias pensando como seria esse exame de espermograma – que gentilmente o batizei de Galagrama, como seria o processo? o que dizer na hora da recepção? etc. Enfim, decidimos ir. Aliás, decidimos não. Ela decidiu marcar o dia. Chegou o dia. Fomos lá na clínica. Deveria ter umas 20 pessoas na espera que é exatamente em frente das recepcionistas ou seja, todo mundo escuta tudo, menos a TV que tinha lá. Eram olhares de um lado pro outro... cada um querendo saber o que o vizinho tinha de “doença”. Isso era mulher, homem, senhoras, meninos, meninas, enfim... e ninguém olhava a porra da TV. Daqui a pouco sai o nº da minha senha. Pronto, chegou minha vez. Me levanto.... e lógico, quatrocentos olhos em cima de mim, aliás, de todos que se levantavam, mas novamente noto que ninguém olha pra TV... só olha pro paciente que ali está.

Entrego minha requisição à recepcionista. Ela lê lá que é ESPERMOGRAMA, mas mesmo assim pergunta num tom um pouco acima: ESPERMOGRAMA? Adivinha... todos olham, lógico! Aí que ela diz: só 1 minuto. Aí eu olho pra TV pra ver se alguém se empolga .. que nada!

Lá vem a recepcionista com um formulário cheio de perguntas. Ao invés dela me entregar e eu preencher, não. Preferiu ficar perguntando: Tem Filhos ? É a primeira vez que faz um espermograma ? está em abstinência há mais de 3 dias ?.. e por aí vai. Imagine. Pronto. Terminei a primeira etapa. Ela diz: aguarde lhe chamar.

Volto para o lado de minha mulher. Ela com as bochechas inchadas e vermelhas querendo explodir de rir com a situação. Aí, pra relaxar eu comecei e perturbá-la dizendo a ela que a recepcionista havia dito que haviam umas assistentes e que elas viriam me buscar pra fazer o “processo”. Fiquei dizendo que seriam duas mulheres, gostosíssimas, uma loira e uma morena e que eu iria entrar com elas e iria passar umas duas horas lá dentro. Nisso, acaba o programa de Ana Maria Braga e começa outro pior ainda. Aí eu tive certeza que ninguém iria mais olhar a TV mesmo. E aí, mesma situação. Pessoas são chamadas, outras saem da “portinha” com uns exames, outras entram. E eu dizendo que as mulheres estavam perto de vir me buscar. Pois num é que aparece uma loiraça na porta e chama: “FULANO DE TAL”.... Não era eu. E continua o processo, uns vem chamar, pessoas entram, saem, aquela rotina. E lógico, todos olhando pra todos.

Daqui a pouco aparece um negão – quase 2 metros de altura e chama: - “Pedro Henrique”. Eu mesmo. Puuuutz. A risada, inevitável. Lá vou eu com os meus papéis. Entrego a ele, ele pede para que eu acompanhe. Entra no corredor e chegamos a uma porta onde tem uma placa “NÃO ENTRE SEM PERMISSÃO”. Nisso, algumas imagens passam ao meu redor : uma médica passando com uns papéis, uma mulher mancando, uma criança indo tirar sangue, etc. O cara abre a porta pra mim e me mostra o cenário: Uma cadeira pequena, algumas revistas viradas e na frente da cadeira uma TV passando algumas imagens e vídeos... cada imagem mais fuleira que a outra. As revistas antigas, uma internacional, etc. Nesse “espaço” tem também um sanitário, uma pia, um rolo de papel toalha, papel higiênico, etc. Sim, entro com dois recipientes: um para colocar o “motivo do exame” e o outro é um sabonete líquido para eu usar quando terminar o serviço.

Pois bem, lá estou eu tentando me familiarizar com o ambiente, começando a folhear as revistas como quem não quer nada, mas a acústica da sala é péssima – fico pensando que o povo de fora fica escutando o folhear da revista – fico pensando não. Tenho certeza! Nisso vou tentando me distrair e “prestar atenção no serviço”, mas os ruídos externos são péssimos para a concentração. Fico meio impaciente. Olho uma revista, outra, tudo isso muito rapidamente, olho para o relógio, etc. E nada do “doidinho” dá sinal de vida. O que fazer ? bem, respiiiiiiiiiiiiiiro... começo tudo de novo, olho a TV com as imagens.. o vídeo (sem som, lógico). Folheio novamente as revistas, etc, etc, etc. ....OPS!.... sinal de fumaça! E aí eu começo meu processo – ufa vou terminar logo isso, penso logo. E lá estou eu todo animado. Quando tô quase lá, vem um grito e um choro de fora: aaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiii.... buááááááááááááá....: era uma criança que acabava de levar uma injeção. Puuuuuuuuuuuuuuuutzzzz. O “doidinho”, logicamente, tenta se esconder, né.... começo uma negociação com ele, conversa vai, conversa vem, mas ele insiste em “sinalizar” que aquela situação ali é totalmente desfavorável. Tenho que concordar com ele, mas sigo em frente pra terminar o serviço. Enfim, lá vamos nós. Mas não podia ser diferente. Com todo aquele “clima” saem apenas uns míseros 10 pinguinhos – que rapidamente encosto o recipiente para “prendê-los” ali.

Me arrumo todo, uso o sabonete líquido que o negão havia me dado. Tudo como manda o figurino. Preparo minha cara de pau para sair da sala. Pense num constrangimento. Quando eu abro a sala ta lá o Negão me esperando e solta: PRONTO ???. Eu não sabia onde me enterrar. Lá vou eu com o recipiente – transparente, com os vergonhosos pinguinhos dentro dele. Eu pego um dos papéis que tenho que entregar à recepcionista e o enrolo pra poder sair. Na saída, o trajeto é o mesmo da ida: contorna a mesa das atendentes, passa em frente aos “telespectadores”, e entrega o papel, o recipiente, a atendente. Aí ela também pergunta: PRONTO??. Não sei o porque dessas perguntas, já que eu já estou devolvendo tudo ali, né!.

Pronto, agora é ir buscar o resultado e levar para a Médica da minha esposa quando ela retornar a ela.

Pego o resultado, abro com curiosidade, apesar de não entender nada. São números e mais números e fecho de novo. Ficarei aguardando minha esposa marcar com a Médica dela para levar o bendito exame.

Chega o dia. Fomos lá na Médica, ela abre começa a “leitura” dos números e dando um “tics” em cada um.

No final há um parecer: QUANTIDADE DE SECREÇÃO APRESENTADA NO EXAME NÃO POSSIBILITA MAIORES DIAGNÓSTICOS. A Médica com a cara de quem não sabe nada me diz: VAI TER QUE REPETIR O EXAME.

Pergunte se eu fiz!.
Maaaaaaaaaaaaais nunca.

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